sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Por mais homens e mulheres (de verdade) - Letícia Maria Barbano



(texto originalmente publicado no jornal "Correio Popular", de Campinas - SP, em 13.02.14)


No ônibus ou em uma conferência, é quase impossível encontrar um homem que ceda seu assento para uma mulher se sentar. Pagar a conta do restaurante? Abrir a porta do carro? Certas gentilezas passaram a ser caricatas e sinônimos de alienação. E homens que assumam seus papéis de pais de família, dispostos a, se necessário, matar e morrer pela esposa e filhos? Onde estão eles? Afinal, em termos gerais, por que os homens não agem mais como homens? A resposta é simples: porque mulheres não agem mais como mulheres.

Na antiguidade, a maioria das sociedades pagãs enxergava a mulher como objeto, escrava do homem, sem vontade própria, descartável e, muitas vezes, não-humana. Com o advento da Idade Média, a Igreja conquistou para a mulher a dignidade que esta merecia: não era serva, nem patroa, mas companheira e igual em dignidade perante o homem. É desta época o chamado “amor cortês”, em que ser cavalheiro e tratar bem uma mulher não significava que ela era inferior ao homem, mas sim que, por ser tão sublime, merecia especial gentileza. Nessa época as mulheres se vestiam com distinção e modéstia, pois sabiam que o que é sagrado, merece ser velado.
Desde o renascimento até os dias de hoje, percebemos que a mulher voltou à condição de objeto e descartável que o Cristianismo havia redimido. Já previu Edmund Burke, o chamado “pai” do conservadorismo, que o que chamamos hoje de relativismo moral – que é o famoso não existir certo nem errado, mas tudo depender dos valores de cada pessoa – levaria a sociedade a ser enlouquecida e sem parâmetros. Cada mulher guiada por seus próprios valores passa a agir do modo que lhe convier. Dentro deste quadro de “cada um fazer o que quer porque acha certo”, sem ter um direcionamento moral do que realmente é certo e errado, a mulher se torna a maior vítima. Não há mais lei ou moral que a proteja ou que a exalte. Se um homem trata a mulher como objeto, ora, são os valores dele. O resultado é uma sociedade profundamente degradada, cheia de mulheres magoadas, homens sem virtudes, crianças sem pais, e famílias despedaçadas. 
A mulher por sua vez, também embalada pela mentalidade relativista, passa a se comportar com vulgaridade, sem pudor, sem modéstia, sem a delicadeza e feminilidade próprias de seu sexo. Comprada a ideia de pseudoliberdade que a pílula anticoncepcional deu, a mulher torna-se dona de seu próprio corpo e vontade, e, agora, pode ter o prazer que desejar, sem que isso tenha como consequência uma gravidez. Se ela pode ter relação sexual quando, como e onde ela quiser, por que não se vestir do jeito que quiser? Se portar do jeito que quiser? Abandonar virtudes e distinções? Rejeitar o dom da maternidade? Viver livremente! Por que não?
A mulher perdeu sua essência e, como consequências, a família e a sociedade também. Um antigo ditado dizia que, em um casamento, o homem era a cabeça e a mulher o pescoço. A cabeça toma as decisões, mas o pescoço a direciona e orienta. Se o pescoço está fraturado, engessado, flácido ou até ferido, como a cabeça conseguirá olhar para outros cenários e fazer as melhores escolhas?
Para restaurar a dignidade da mulher em nossa sociedade, não são necessários movimentos políticos financiados por instituições globalistas. É necessário, primordialmente, uma restauração da moral, especialmente da moral feminina. Necessita-se resgatar as virtudes do mundo, os valores sagrados, a diferenciação de certo e errado. 
Somente com a reconquista da moral feminina, um homem passará a agir como homem. Porque a mulher voltou a agir como mulher.

Letícia Maria Barbano

2 comentários:

  1. Tom,

    ótimo texto da Letícia!

    Realmente, o apelo à liberdade feminina [sic] transformou-se rapidamente em libertinagem e o que vemos são homens e mulheres, ambos, sofrendo por conta das suas transgressões e tornando quase impossível o relacionamento entre ambos. O que era para ser um complemento, ou seja, Deus criou homem e mulher para se completarem, fez-se, pela mentalidade diabólica, separação, de maneira que se opõem e, muitas das vezes, torna-os em inimigos. Uma triste realidade a trazer apenas e tão somente sofrimento e dor... Os modernos e pós-modernos acham que agindo assim estão destruindo a "hipocrisia cristã", seja lá o que querem dizer com isso, mas, no lugar dela, colocam a imoralidade, o ódio, e o desprezo ao próximo, como se, para ambos, o outro não fosse mais do que um pedaço de carne exposto na vitrine... Ao invés da soma, anulam-se; e a conta foi para o vermelho rapidamente.

    Grande abraço, meu irmão!

    PS: Reproduzindo o texto em minhas mídias.

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    1. Querido irmão Jorge,
      como sempre seus comentários acertam na "mosca"...rs Infelizmente essa é uma realidade hoje, a guerra dos sexos tem causado um estrago enorme para todos os casais que não entendem ou não querem entender o plano de Deus para nós, seres humanos. Um casal que busca essa vontade de Deus em suas vidas, compreendem que homem e mulher complementam-se mutuamente e que quando se amam, buscam a felicidade do outro antes da sua própria. Vamos seguindo fazendo o nosso papel, tentando alertar aqueles que estão ao nosso redor e salvar a quantos for possível das mentiras do diabo.
      Em Cristo,
      Tom Alvim.

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