domingo, 9 de fevereiro de 2014

Corpos de homens desaparecidos, assassinados por índios, são encontrados em reserva. Wagner Moura, Camila Pitanga, Bete Mendes, Dira Paes e Marcelo Freixo não acenderão nem uma velinha por eles…

Pois é… Vocês se lembram dos três homens que desaparecem numa reserva dos índios tenharins, no Amazonas? Seus corpos foram encontrados anteontem. Cinco indígenas já haviam sido presos pela Polícia Federal, que tinha ouvido relatos detalhados dos assassinatos, mas não havia encontrado os cadáveres. No mês passado, revoltada com o desaparecimento, a população da cidade de Humaitá incendiou a sede local da Funai e carros e barcos que serviam à fundação.
Relembro o caso. No dia 16 de dezembro, os três homens desapareceram quando cruzavam a reserva indígena dos tenharins: Aldenei Salvador, que era funcionário da Eletrobras, Luciano Ferreira, um representante comercial, e Stef de Souza, um professor. Sumiram quando trafegavam de carro pelo trecho da Transamazônica que corta a reserva, onde os índios espalharam postos de pedágio, o que é ilegal, mas tolerado pela Funai.
Os que acusavam os índios pelo assassinado afirmavam que eles estariam vingando a morte do cacique Ivan Tenharim, ocorrida em junho. E como ele morreu? O seu próprio filho admite que foi em decorrência de um acidente de moto. Ocorre que Ivã Bocchini, que era coordenador regional da Funai, havia publicado no blog oficial do órgão um texto levantando a hipótese de assassinato. Aí já viu! O tal Bocchini foi afastado.
Pois bem. A população estava errada na forma de protesto, mas certa no mérito. Agora cabe a pergunta: quem se interessa por esses três cadáveres?
Que título é aquele?
Eu me refiro a mais um vídeo que os deslumbretes do politicamente e indianisticamente correto gravaram em defesa dos “Guaranis-Kaiowas” — que, claro, merecem todo o apoio desde que sua “causa” não concorra para jogar outros na miséria e no desamparo. Quem conhece o caso sabe muito bem que o embate, no caso desses outros índios, à diferença do que informa o vídeo, não se dá com “ruralistas”.

De resto, só a rematada ignorância — e artistas deveriam se informar antes de abraçar causas — pode sustentar que a taxa de homicídios dos “Guaranis-Kaiowas” está entre as mais altas do mundo. Se alguém perguntar a essa gente qual é a taxa de homicídios do Brasil, de Alagoas, do Sergipe ou da Bahia — né, Moura? —, vocês acham que sai a resposta? O que importa é se posicionar contra “os inimigos de sempre”. Aliás, não fosse o agronegócio, talvez todos eles estivessem com os bolsos mais vazios porque o país já teria quebrado faz tempo. Se algum deles tiver a curiosidade, forneço os números. Mas eles não têm. Estão ocupados demais sendo bonzinhos…
Mas isso fica para outra hora. Amanhã, ninguém mais vai se lembrar dos três homens mortos pelos índios. Eles são sem-ONG. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai se calar. Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, vai tapar os olhos, o ouvido e a boca.
E a gente se protege tapando o nariz.

Por Reinaldo Azevedo

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