quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eu vi



Trouxeram o inocente.
 Seu corpo debilitado; moído; massacrado.  Gritava silenciosamente: - Eu não estou derrotado!

O seu suor e suas lágrimas
temperavam a velha madeira seca
acostumada a conduzir à morte, tantos outros condenados e sequer imaginava o privilégio que ela ostentava.

Nela um milagre estava por acontecer.
E através dela muitos poderiam crer.

E eu...
 Um mero espectador que incrivelmente      
podia sentir sua dor, ouvir seu clamor e sentir seu terno e verdadeiro amor.
Aquele que é , simplesmente por ser. Sendo o que muitos apregoam, mas jamais vivem. A essência viva de algo que jamais morre.

Os soldados me olharam e se entreolharam . De
repente com desprezo mordaz me pegaram. Suas mãos sujas com sangue precioso me conduziram até o inocente.

E eu gritava, urrava: - Soltem-me ! Soltem-me !
Eu não fiz nada! Gritava mais do que aquele condenado.

Os cravos furaram suas mãos e seus pés.
E no cravejar incessante e impiedoso percebi em seu semblante amoroso o perdão! Doce perdão; que pode nascer através da morte, para que haja vida em muitos sem sorte.

Eu o preguei !

Eu ensanguentei a velha madeira.
Mas agora ela sorria sobremaneira.
Eu jamais imaginaria que isso aconteceria.
Eu fui um instrumento usado para libertar o
cativo e redimir o pecador.

A aparente derrota nada mais era do que o selo definitivo da reconciliação. Criador-Criatura.
A morte jaz na sepultura. Vencida para sempre.

Jogaram-me de volta na caixa  com as outras ferramentas
Emudeceram-se os gritos dos cravos.
O inferno se calou. A natureza chorou de alegria e os céus. Ah, os céus!
Explodiram em grande júbilo, pois se rasgou o véu.

Quem fui eu?
Apenas um velho martelo.

Quem é Ele?
O redentor de toda a humanidade. 


Autor: Tom Alvim
Imagem: Stock.xchng

2 comentários:

  1. Tom,

    não conhecia a sua veia poética... Parabéns! Gostei do texto, e acredito que você deve continuar a exercitar esta arte.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

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    Respostas
    1. Obrigado Jorge,
      escrever sempre foi um prazer para mim, e em um tempo específico de minha vida escrevi bastantes poemas, foi uma fase muito boa...vou publicá-los e republicar os que já publiquei por aqui.
      Abraços.

      Excluir

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