sexta-feira, 25 de maio de 2012

Garotos estranhos


"Somos embaixadores por Cristo" (2Cor. 5:20)

Uma das melhores coisas que aconteceram em minha vida foi ter conhecido e feito parte de um grupo de garotos espertos, saudáveis e desejosos de aprender mais de Cristo. Não, eu não estou fazendo uma auto-avaliação orgulhosa de minha infância, muito pelo contrário, quando menino, aprontei bastante e até uma certa idade era a antítese desta descrição. Estou falando de uma organização criada nos Estados Unidos da América por homens que se preocupavam com os seus meninos e resolveram partir para a ação. Os Embaixadores do Rei, que graças a Deus ainda existe no meio Batista e, creio eu, tem uma certa inspiração nos moldes dos escoteiros, mas com uma temática mais evangélica e com forte influência na formação do caráter infanto-juvenil. 

Quando criança, vivia correndo pelas ruas do meu bairro lá em Realengo e como qualquer garoto, ou melhor, como qualquer moleque do subúrbio carioca tinha um vocabulário nada exemplar, repleto de palavras torpes e obscenas, que um dia foram extirpadas de minha vida quando conheci outros meninos. Uma espécie diferente, naquela época estranha e exótica para mim. Meninos que não falavam "palavrão" e que viviam sorrindo, mas era um sorriso sincero, sem ares de malícia em seus rostos, sem a malandragem perigosa que muitos já possuíam. Fui me afeiçoando a esses "garotos estranhos" e quando menos esperei já estava entrosado e participando de suas reuniões. 
Como os meninos fazem amigos fácil não é mesmo? 
Já os adultos...Sempre com suas reservas, mantendo a todos bem distantes. Talvez por isso seja tão difícil fazer amizades profundas após certa idade.

Depois de um tempo, a minha nova turma mostrou-me quem era Jesus Cristo e inserido neste contexto aprendi muito acerca deste Rei e de seus discípulos. Inclusive dos discípulos modernos, através do estudo de muitos heróis da fé em suas biografias. Foi durante este período que William Buck Bagby, Adoniram Judson e outros instigaram a minha saudável vontade de conhecer mais o Pai, ver os seus milagres acontecerem e entender que heróis existem, mas não como o mundo nos apresenta. Heróis de verdade não fazem questão de aparecer. Eles dizem bem baixinho: "Que eu diminua e que Cristo apareça". Esses homens deixaram seus exemplos para todos nós de como é gratificante representar seu Rei na corte de outro e de como podemos deixar marcas profundas em muitas gerações de meninos que um dia se tornarão os homens desta nação.

Um outro missionário, este ainda vivo na época, chamado Willian Alvin Hatton gerenciando o Sítio do Sossego trouxe um pouco da dinâmica norte-americana de acampamento para o Brasil e neste contexto forjava novos missionariozinhos durante os dias de aventura, esporte, lazer e muito estudo bíblico em suas instalações. Aquele lugar era maravilhoso, lembro-me muito bem dos chalés que nós ficávamos, todos com nomes de cidades americanas. Eu mesmo fiquei em um chamado Abilene, que era a cidade aonde o Pr. Willian havia nascido. Lembro-me até hoje, já com meus 42 anos de vida, do cheiro e do gosto do achocolatado servido no "rancho". Dos sapos enormes que pulavam pelas calçadas do sítio quando íamos para os cultos na capela. E das medalhas que eram distribuídas àqueles que se destacavam durante o acampamento. Só consegui ganhar uma no segundo de que participei. Era uma honra para os meninos ganhá-las e para mim não foi diferente. 


Dias incríveis aqueles, que me deixaram grandes marcas e profundas convicções arraigadas. Dentre elas, a de que devo ser um homem íntegro, que ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo, pois os "Serviço Real" nos talhava assim. Era comum ver um jovenzinho da igreja tentando ajudar uma pessoa idosa a achar um lugar dentro do templo, ou no final do culto ir correndo para a cantina ajudar a vender os mistos quentes e as saladas de frutas da embaixada.


O compromisso declamado em todas as nossas reuniões nos lembrava o que era importante para um Embaixador. Veja abaixo:


"Prometo, esforçar-me por uma vida digna de um embaixador do Rei, guardar meus lábios da mentira, da impureza e de tomar o nome de Deus em vão. Conservar meu corpo limpo e pronto para o serviço. Estudar a vida de grandes embaixadores do Rei, na Palavra de Deus e nos livros missionário. Dar tudo o que puder para o sustento de missões e pelo meu trabalho ajudar a estabelecer o Reino de Deus na terra".
 

"Prometo, ser leal a Jesus Cristo, viver para Ele e servi-Lo sempre. Terei uma vida pura, direi sempre a verdade, corrigirei os meus erros, seguirei a Cristo Rei. Se assim não for, para que nasci?".

Foi nessa época surgiu a nossa querida "irmandade", cinco amigos que compartilhavam ideais semelhantes, moravam próximos e eram todos embaixadores. O Jane Cleber, o Carlos Henrique (que hoje já está com o nosso Rei), o Antônio e o Marquinhos. 

Esses garotos estranhos, hoje todos homens formados e com família constituída foram importantíssimos para mim. Deixei os costumes ruins de lado e tornei-me um embaixador de Cristo aqui na terra em tempo integral e para todo o sempre.


Por que como era dito neste meio: "Uma vez embaixador, sempre embaixador!"


Autor: Tom Alvim.
Imagem: Google

6 comentários:

  1. Tom, que bárbaro! Lindo mesmo! Eu tenho uma inveja santa dos que nasceram na Igreja. Desde a minha conversão aos 22 anos, perdi tudo isso de bom que a Igreja poderia ter me oferecido na formação do meu caráter. Sempre disse: "Se eu soubesse que era tão maravilhoso ser cristão, tinha convertido antes!". Mas claro que sabemo que havia o tempo de Deus.

    E, por causa disso tudo, hoje, eu vejo encantado minhas filhas crescendo na Igreja - um privilégio que eu não tive e estou podendo oferecer a elas. Uma honra que Deus me concedeu.

    Linda mensagem do teu post e ótima ideia para se colocar em prática nas igrejas que, por ventura, não tiverem essa filosofia dos embaixadores.

    Obrigado por compartilhar tua linda história.

    braços sempre afetuosos.

    Fábio.

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    1. Que coisa boa Fábio, é termos nossos filhos sendo ensinados no caminho em que deve andar. Elas terão experiências incríveis que as acompanharão para o resto de suas vidas.

      Por mais que algumas "igrejas" estejam se proliferando por ai, ainda existem aquelas formadas por pessoas realmente sinceras em sua fé e vale muito à pena ter comunhão e ser igreja.

      Um bom final de semana com Cristo,
      Seu irmão,
      Tom Alvim.

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  2. Eu não fui Embaixador do Rei, mas fui Mensageiras de Rei. como me identifico com tudo que meu irmão escreveu. Que saudade do sítio do sossego, também ganhei medalhas foram duas uma por bom comportamento e primeiro lugar no basquete. Hoje tenho a oportunidade de ser líder de M.Rei, de poder conviver com meninas que querem fazer a diferença neste mundo e poder de alguma forma fazer parte da história delas. Meninos e meninas diferentes que hoje são homens e mulheres diferente nesse mundo tão igual. Então " ... se assim não for, para que nasci."
    Beijos meu irmão. Denise França

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    1. Olá mana, seu comentário veio complementar o texto, pois as Mensageiras do Rei eram nossas aliadas...rs Estávamos sempre juntos na igreja e com certeza as duas organizações acabam se complementando. Mostrando aos meninos e as meninas que nesta vida caminhar sem Deus não faz sentido algum e que o nosso Rei deve ser a razão dela. Um grande beijo do seu irmano, em Cristo e no sangue.
      Tom Alvim.

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  3. Olá.. como é bom relembrar esse tempo de Embaixador do Rei... que ministério maravilhoso!! Os acampamentos eram legais demais... bons tempos!! Espero que os meus filhos, quando tê-los, também tenham a mesma oportunidade que eu tive e que foi espetacular crescer no Evangelho!

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    1. Olá Chaves, bons tempos mesmo...aqui em nossa igreja estão querendo reimplantar esse ministério e creio que será muito bom. Um grande abraço e volte sempre que quiser.
      Em Cristo,
      Tom Alvim.

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